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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Onda de desmaios chega às igrejas angolanas


 
Os desmaios misteriosos chegaram às igrejas. Além destes novos casos, mais de 800 alunos de várias províncias do país foram afectados, alegadamente, por substâncias tóxicas. Já há um detido, mas na próxima semana deverá ficar-se a saber a origem dos desmaios. Os resultados laboratoriais assim o determinarão.
A onda de desmaios que assola a sociedade angolana, sobretudo estudantes, é um mistério que ainda ninguém consegue explicar e está a ameaçar o ano lectivo. Nesta semana viveu-se alguma acalmia e os alunos começaram a regressar aos poucos às aulas, graças ao esforço que as direcções escolares e as entidades competentes têm feito para normalizar a situação.

As amostras das ‘vítimas’ recolhidas pela Polícia Nacional, em colaboração com a Polícia Judiciária portuguesa, foram enviadas para o Instituto de Medicina Legal de Lisboa, que efectua autópsias e análises diversas. Os resultados deverão ser conhecidos na próxima semana, mas o SOL apurou que as autoridades inclinam-se para a intoxicação dos alunos. Com o veredicto laboratorial, espera-se desvendar finalmente os desmaios ocorridos nas escolas e também em algumas igrejas.

Recorde-se que os alunos que desmaiaram começaram por sentir «uma irritação na garganta que subia pela boca, causando tonturas, perda de visão, até que a pessoa acabava por cair, desmaiando», adiantou ao SOL fonte ligada ao processo de investigação.

Igrejas atingidas
Mas os enigmáticos desmaios nas salas de aula alastraram-se aos cultos religiosos, apurou o SOL.

E, ao que se sabe, não escolheu credos, já que começou na Igreja de S. Pedro, em Cacuaco, durante a missa do último domingo. Quando o padre da Igreja Católica celebrava a missa gerou-se o pânico entre os fiéis, quando quatro jovens desmaiaram e foram levados de imediato para o hospital.

Um dos jovens que estava na igreja a fazer o protocolo – receber e encaminhar os fiéis – começou a sentir-se mal e num ápice desmaiou. Ao acordar descobriu que estava internado no posto médico mais próximo da igreja. Também em Cabinda, mais de 18 pessoas que participavam no culto da Igreja Evangélica de Angola, no seu 113.º aniversário, foram socorridas de emergência no Hospital de Buco Zau, depois de diversos desmaios em cadeia. Onze delas, em estado mais preocupante, foram levados para o Hospital Provincial de Cabinda. O incidente, de todo inusitado, provocou o pânico nas mais de mil pessoas que assistiam ao culto, tendo estas abandonado o pavilhão de Buco Zau em aflição, terminando dessa forma a cerimónia religiosa.

Os responsáveis da unidade hospital de Buco Zau mostraram-se perplexos e não conseguiram justificações para estes desmaios em cadeia, e com alguma gravidade, num fenómeno que a simples comoção num acto religioso não parece suficiente para justificar. Neste contexto, foram feitos exames que não detectaram qualquer substância tóxica, continuando a ser feitos baterias de testes. Quer a Polícia provincial, quer o secretário-geral da Igreja mostraram-se surpreendidos com o inédito fenómeno.

Suspeito à vista
Entretanto, e reforçando a teoria da conspiração, a Polícia de Investigação Criminal deteve recentemente um jovem de 19 anos, acusado de ter lançado um gás tóxico no Instituto Médio Politécnico, município do Cazenga, provocando o desmaio de 24 pessoas, entre alunos, professores e funcionários administrativos.

O suspeito é acusado de utilizar um produto designado por ‘Longue Postel 70cs’, um tipo de gás pimenta utilizado pelas forças policiais para neutralizar elementos que provocam distúrbios. O uso de tais substâncias por civis é ilegal e tem uma moldura penal de dois a oito anos de prisão.
Segundo os cálculos das autoridades governamentais, já se terão registado 300 casos nas escolas de Luanda, além de mais 500 casos noutras províncias, nomeadamente, Huambo, Benguela, Cabinda, Malanje, Namibe e Bié.

Pânico nos hospitais


Até ao momento não há registo de vítimas mortais e os alunos são assistidos nos hospitais públicos. Em função do que sucedeu e como medida preventiva, as aulas chegaram a ser suspensas, por alguns dias, em muitas escolas. Aparentemente, esta semana voltou tudo à normalidade, apesar de um ou outro caso isolado.
Por seu lado, o Presidente da República José Eduardo dos Santos ordenou ao ministro do Interior, Sebastião Martins, que criasse uma comissão de acompanhamento do fenómeno que lhe possa transmitir informação actualizada e que contribua para o fim de tal mistério.
A comissão deve também mobilizar especialistas em medicina, psicologia clínica, psiquiatria e outras áreas afins para desenvolver acções que contribuam para o esclarecimento da situação e apoiar o corpo docente e discente dos estabelecimentos escolares onde se verifiquem tais ocorrências. A primeira informação chegará de Lisboa na próxima semana.

Fonte: sol.co.ao
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